CPI de Romário está parada há dois meses por falta de apoio político

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da bet7: A CPI que surgiu em julho do ano passado como uma grande esperança demudar o futebol brasileiro não está conseguindo nem forjar sua própriahistória. Desde o início de abril, a CPI do Futebol no Senado, comandadapelo senador Romário (PSB-RJ), está parada por causa de uma questãoregimental (leia texto abaixo).

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da bet sport: Para resolver a questão, o senador Romário entrou no último dia 9 comuma ação no Supremo Tribunal Federal para destravar a convocação dopresidente da CBF, Marco Polo Del Nero, do ex-presidente RicardoTeixeira, de sua filha Joana Havelange e do empresário Wagner Abraão,maior parceiro comercial da CBF e suspeito de práticas de lavagem dedinheiro. Mas, mesmo que eles sejam convocados, a chance de a CPIaprovar um relatório contundente é pequena.

Apesar de isso ser uma tradição do Congresso, em poucas CPIs houve umaoposição tão clara – embora sem uma guerra declarada – entre opresidente e o relator. De um lado, Romário tem apostado seu prestígiopessoal na tentativa de demonstrar que o presidente da CBF e seusprincipais auxiliares estão lesando a entidade com negócios quebeneficiariam os dirigentes, mas não o futebol brasileiro.

Romário já chamou Del Nero várias vezes em sessões da CPI de”corrupto”, “ladrão” e “mentiroso”, em especial quando o dirigente foiouvido no dia 16 de dezembro.Mas o relator, Romero Jucá, colocado no cargo com a bênção dacartolagem, joga no sentido contrário. Sem nem esperar o fim dainvestigação, Jucá já entregou um documento sem indiciar nenhumdirigente. Em mais de 200 páginas de texto, dedica às irregularidades nagestão da CBF alguns poucos parágrafos – e de forma amena como se não
houvesse culpados.

O relator tem o apoio da grande maioria da comissão. Romário, apesar deter levantado diversos casos que indicam a prática de condutasupostamente criminosa dos cartolas, vislumbra tão somente produzir aofinal da história um relatório paralelo e entrega-lo ao Ministério Público. Oque, aliás, Jucá também vai fazer com o seu.

Entenda o que paralisa a CPI do Senado

A CPI do Senado está parada desde 6 de abril quando o presidente doSenado, Renan Calheiros, atendendo a pedido de senadores ligados àbancada da bola, invalidou a convocação de Teixeira e Del Nero, entreoutros. As comissões do Senado já se posicionaram contra a atitude deCalheiros, mas ele ainda não a anulou.Por trás da crise, está a falta de apoio político à CPI dentro do Senado.

Desde que conseguiu as assinaturas para criá-la, em 27 de maio do anopassado, Romário vem enfrentando forte oposição ou no mínimo mávontade dos colegas.

O senador deixou claro que desconfiava das intenções dos seus própriospares de CPI ao criar uma equipe de investigação própria, paralela à oficial– que nem sequer chegou a ser montada, aliás.

A equipe levantou diversas irregularidades, especialmente com base numHD de um computador de Del Nero, apreendido durante uma operação daPolícia Federal em 2012.

Mas, na área política, Romário não conseguiu reverter a situaçãominoritária em que se encontrava e até a agravou ao perder o apoio dealguns senadores, como Paulo Bauer (PSDB-SC).

Assim, nem mesmo membros da sua equipe acreditam hoje que se conseguirá aprovar um relatório com as conclusões da investigação.Um relator contra a CPIIndicado pela bancada da bola, o senador Romero Jucá, deixou logo claro
que não queria uma investigação aprofundada. Seu desinteresse foi tantoque no primeiro semestre de funcionamento da CPI, ele nem sequer pediua senha para acessar os documentos obtidos pela comissão – e que sãoprotegidos por sigilo legal.

Para deixar clara sua posição, o relator não se esquiva de protagonizarepisódios constrangedores. Quando Del Nero depôs na CPI, Jucá o chamousempre de Vossa Excelência, tratamento só dispensado aos colegas ou aaltas autoridades públicas. E, naquele momento Del Nero, nem sequer erauma autoridade privada, pois estava licenciado da presidência da CBF.

Mesmo depois que renunciou ao cargo de ministro do Planejamento dogoverno interino de Michel Temer, ao ser flagrado em gravações comcríticas e ações contra a Lava-Jato, o senador continua a ser consideradoum dos políticos mais poderosos – e temidos – de Brasília.

Pernambucano, foi nomeado governador biônico no então território deRoraima, e desde então fixou sua base política por lá. Eleito senador, já foilíder do governo em três sucessivas gestões – de Fernando HenriqueCardoso, Lula e Dilma. Foi Jucá, aliás, quem comandou a reunião em que oPMDB retirou o apoio ao governo de Dilma abrindo caminho para oprocesso que culminou no impeachment.

No ano passado, Jucá era tido como um dos mais fortes candidatos àsucessão de Renan na presidência do Senado. Disputava a indicação doseu partido com Eunício Oliveira, do Ceará (que por pouco não foi orelator da CPI do Futebol). Agora, para concretizar o desejo, precisa nãoser preso.

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